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jun
26

CBF diz que Fifa “quer” o Morumbi e que a solução está na “engenharia”

Publicado às 16:19 80 comentários
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Direto de Johannesburgo (África do Sul)
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Presidente Lula visitou o Morumbi nesta semana para conhecer o projeto para a Copa de 2014
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Johannesburgo é, basta olhar, uma cidade rica, onde há, houve sempre, dinheiro. Lá de Soweto, que já foi gueto e hoje abriga classes médias mas também miseráveis, se enxerga de onde brotou muito, muito dinheiro por mais de um século.

É uma montanha feita por mãos humanas. Um enorme aterro, erguido para tapar a cratera onde por décadas e décadas os escravos do apartheid cavaram ouro. É desse choque entre bilionários e deserdados que nasceu e prosperou a violência de hoje em Johannesburgo.

Um dos abrigos para quem tem grana é o shopping center, suprema ironia, denominado Nelson Mandela; justamente o homem-símbolo do fim do apartheid. O shopping, uma ilha de segurança, com lojas finíssimas, restaurantes caros, embora ruins.

Num desses restaurantes, o Ghirardellis, almoçava nesta semana um naipe de brasileiros. Dois deles ex-empresários do mundo boleiro que, salvo engano, já puxaram uma cana. Em algum momento por lá passaram também funcionários da FIFA.

Um dos rapazes, o mais falante, era assustador. Entre o calvo e a cabeça raspada, terno escuro, sempre a proferir certezas. Lombrosiano. Estávamos numa mesa próxima, entreouvimos de repente:
-…no Rio, em Setembro, eu vou cuidar da segurança!!!

Brrrrrrr.

Ficamos olhando aqueles sujeitos, imaginando, tentando sacar o que tramam aqui nas bandas da África. “Copa no Brasil” foi expressão diversas vezes repetida.

Naquela mesma tarde o Coronel Nunes, o já célebre Chefe da delegação do Brasil, cometeu seu sincericídio. Disse que Johannesburgo tem “toque de recolher às seis da tarde”, “vivalma nas ruas à noite”, manifestou temor em trazer a família à Copa.

No dia seguinte, qual Maysa, seu mundo caiu. Ricardo Teixeira em pessoa emitiu uma desautorização oficial à opinião do Coronel. Disse, inclusive, que aqui está e aqui estará com a família no próximo ano.

E ele está mesmo. Hoje almoçou no Butcher que, como diz o nome, “Açougueiro”, é um restaurante de carnes.

Fica logo à entrada, à frente e à direita da estátua do Mandela. Nessa semana correu aqui, de boca-em-boca, a história do Lula, do Teixeira e do Morumbi.

Lula, o presidente, visitou o Morumbi como sabem vocês por aí. O governador Serra, o prefeito Kassab, lá estiveram. O ministro dos Esportes, Orlando Silva, também estava.

Lula foi e voltou de Congonhas de helicóptero. Na parte privada da visita, com presidentes de clubes, demorou-se por meia hora.

Lá, segundo testemunhas, teria dito à Lula, com todos aqueles recheios de linguagem popular, que o estádio para a Copa 2014 em São Paulo é o Morumbi.

E que Ricardo Teixeira deveria “baixar a bola”. Pelo menos um dentre a dezena de presentes me confirmou a história; como se sabe, nesse cipoal de interesses é preciso ter cautela.

Como se deve fazer, busquei ouvir o outro lado. No caso, o do Teixeira.

Os seus juram de pés juntos que, primeiro, não ganharão “dinheiro com estádios”. E que os interessados em tanto têm residência em São Paulo.

Informam, em seguida, que a FIFA quer o Morumbi, desde que atendidos os tais seis requisitos que o projeto do São Paulo não contemplou. E que tudo seria uma questão de “engenharia”.

Deve ser mesmo, esperemos, uma questão que uma simples “engenharia” resolve; antes que outros “engenheiros” aprontem daquelas obras costumeiras. Com os custos habituais. Como no Pan.

Deve ser porque se o problema é, ao final e ao cabo, de espaços contíguos, parece ser mais barato negociar tais espaços privados ao redor do estádio do que construir um novo.

E quando me lembro do campinho universitário em Stanford, Califórnia, onde o Brasil jogou na Copa 94, tudo isso se torna ainda mais estranho. Ou por demais evidente.

Domingo a final contra os EUA. Hoje é sexta, vamos jantar fora. No shopping Mandela.

(Tudo pelo jornalismo.)
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Foto: AP
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Comentários

80 comentários Comentar
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  1. Gabriel Postado em: 28 de junho, às 11:37

    Bob, um marketeiro qualquer de plantão QUER MUDAR O ESCUDO DO ESPORTE CLUBE BAHIA! Dê uma olhada no site oficial do clube, que já adotou a barbaridade. Isso é um absurdo, pior do que rebaixar o time para a Série C.

  2. Quequéisso Postado em: 27 de junho, às 01:16

    Caraca! O maior Panettone de Frutinhas que existe é o Morumbi? Que definição porreta feita aqui em uns dos comentários. Uma definição real mesmo do Estádio e os seus iguais rsrsrs. Taí! Concordo. É olha que eles querem que a ABERTURA seja lá. Gulosos rsrsrs

  3. judokarib Postado em: 26 de junho, às 22:00

    Oque??? A copa do mundo vai ser realizada aqui no Brasil??? mentira…voçes tão de sacanagem comigo!!!!!!!!!!!!!!E o salário mínimo 460,00….

  4. P/Gilberto Postado em: 26 de junho, às 21:46

    Gambá, vai continuar sem estádio, alugando pra poder jogar. Estava pensando que o curintia iria ganhar um estádio de graça ? Pode chorar, espernear, tirar a calçinha e pisar em cima.

  5. Vinicius (Colombia) Postado em: 26 de junho, às 20:59

    É inacreditavel demitir um técnico ganhador, vencedor, competente como o Muricy. É lamentavel a decisao tomada pela Diretoria do SPFC que desta vez cometeu um erro que a muito tempo nao cometia.

    Esparamos que o pior nao venha ocorrer no futuro com a contratacao do Leao, já pensou? Pior que isto só contratando o Nelsinho Pique para pilotar o carrinho de emergencia.

    Abraco

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jun
25

Vitória da paciência. E da estrela.

Publicado às 19:27 24 comentários

Direto de Johannesburgo (África do Sul)

 

Daniel Alves marcou em jogo de paciência. Brilharam a aposta e a estrela de Dunga

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Vitória da experiência e da maior qualidade, da paciência, da aposta certa e da estrela de Dunga ao trocar André Santos por Daniel Alves já no final, aos 36.
 
Vitória contra um time que treina para isso há 40 dias, que jogava a mais importante partida da sua história.
 
Noite gelada no Ellis Park, sob o impacto de uma tarde em Soweto.
 
O gueto dos tempos do apartheid é hoje um bairro também classe média em suas franjas, mas nas baixadas a miséria em nada difere da que se vê logo ao longo da marginal Tietê, em São Paulo, das periferias de qualquer grande cidade do Brasil.
 
A diferença está no peso da história recentíssima, nas marcas da dor, da opressão.
 
No monumento a Hector Pieterson, o menino morto pela polícia em 16 de junho de 1976, não há como não sentir um nó na garganta diante da imagem lendária, da brutalidade de um regime congelada em uma foto.

 

 

Foto legendária de Hector Pieterson: perplexidade mundial

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Mbuysa Makhubu segura nos braços o menino morto a tiros. A seu lado, o desespero, a dor da irmã de Hector Pieterson. Ao fundo, a comoção, a perplexidade de quem assiste à cena naquele 16 de junho.
 
Mbuysa, perseguido pelo regime, fugiu primeiro para Botswana, foi visto pela última vez na Nigéria. Restaram a foto e a lenda. Na mesma praça do monumento inaugurado por Nelson Mandela em 1992, o museu em nome do mártir Pieterson.
 
Quem já viu Auschwitz, soube de Sobibor, Dachau, dos navios negreiros, da Palestina, sabe que palavras não bastam para descrever tanto ódio, dor e miséria humana.
 
Joseph Kgatlga, 37 anos, nascido numa tribo Zulu, é guia da visita. Estanca à porta do museu. Recusa-se a entrar, explica-se:
-Eu não consigo entrar aí, me faz mal…
 
À saída os porteiros fazem a mesma pergunta que fizeram camareiras, motoristas, garçons, que se ouve por Johannesburgo nesta quinta-feira:
-Bafana, Bafana vai ganhar do Brasil?
 
A derrota da Espanha campeã europeia diante do azarão EUA incendiou corações e mentes na África do Sul.
 
Bafana, o mesmo que boys, garotos. Já estamos no Ellis Park. O jogo começa daqui meia hora, mas no estádio, com vazios onde os ingressos são mais caros, as infernais vuvuzelas e os gritos pelos Bafana, Bafana.
 
Câmeras na torcida, e num cartaz:
-(Joel) Santana is South African.
 
E noutro:
-Mandela is Brazilian.
 
Difícil tirar as mãos dos bolsos do casaco e batucar no teclado, dedos congelando. Dez graus, sensação térmica de oito e o ventinho cortante.
 
Começa.
 
Os Bafana não parecem nervosos, ponto para o treinador-boleiro Joel Santana. Sem bola recuam todos, armam duas linhas de quatro. Joel prometeu uma “Muralha da China”, mas também contra-ataques.
 
Ramires, de esquerda aos 12, primeiro chute a gol. Booth. O único branco do time. É ele tocar na bola e o estádio em coro:
-Booooooooooo….
 
Gaxa bate, rente à trave direita. Quase. Jogo de estudos, bola de pé em pé. Ramires, hoje, não parece tão bem. Será que, como quase sempre, dificuldade contra times africanos, de quem herdamos, que também conhecem a ginga?
 
Felipe Melo inventa, perde a bola, Dunga sacode os braços. André Santos faz falta. Bola alçada e o capitão Mokoena quase faz de cabeça.
 
Luisão faz falta, desnecessária. Perigo aos 28. E Júlio Cesar joga pra escanteio. As vuvuzelas infernizam. Falta grosseira de Felipe Melo, cartão amarelo. Kaká se livra e avança, pela primeira vez, toca pra Ramires…que perde o tempo da bola dentro da área.
 
André Santos, de longe aos 33, segundo chute no gol.
 
Kaká recebe aos 36, grande drible, e chute à esquerda de Khune. Se chega, entra. Ramires rouba, Kaká dispara pela direita aos 41. Chute fraco, Khune segura. Disparo de Piennar meio minuto depois, à direita. Júlio Cesar voa, não acha. Se vai, já era.
 
Falta em André, aos 45 à frente da área. Nada.
 
Fim do primeiro tempo. O Brasil tem mais experiência e talento, a África do Sul equilibra com vigor físico e o jogar em casa. Parada duríssima, os africanos estiveram mais perto. Joel cumpre a promessa, seu time se defende mas também ataca.
 
Nos jogos anteriores, o isolamento de Luis Fabiano não se fez sentir, as jogadas fluíram, pelo meio e pelos lados. Hoje, sem a vantagem da ginga sobre quem também sabe dançar, se evidencia o que falta ao 9 em agilidade, mobilidade e….
 
Recomeço. Frio ainda maior. O Brasil parece mais esperto. Insegurança, seqüência de vacilos na esquerda. Júlio Cesar salva aos 12 uma bola desviada na zaga. Com a ponta dos dedos. Amarelo para André num contra-ataque.
 
Nas poucas que chegam lá na frente Luis Fabiano tem dificuldade no domínio, atrasa a jogada. Não está bem hoje. Hora de mudar, de mais velocidade.
 
Felipe Melo cisca, perde, permite um contra-ataque depois de erro grosseiro de André Santos no ataque.
 
Joel adiantou a marcação do seu time, quatro adiante do meio campo, isola ainda mais o ataque brasileiro. Resta a troca de bolas entre defensores e meio campo, à espera da brecha que não vem.
 
Daniel Alves vai entrar, aos 36. Ramires dá bandeira, se move como se fosse com ele. Sai André Santos, que tem um amarelo, que parece sentir a responsa. Imaginemos o que pensa e sente Kleber lá no banco, mesmo sendo claro que é uma aposta de Dunga.
 
Robinho cai, Dunga chia com o juiz, muito. Felipe e Kaká também. 
 
Faltam 5 para a prorrogação. Se vier, vantagem para quem tiver mais gás. Não vem porque aos 43 Ramires sofre a falta.
 
Foi, mas o juiz marcou também por conta da pressão recente de Dunga e Cia. Daniel Alves, que ensaia em todos os treinos, bate com estilo, lá em cima à esquerda.
 
Brilha a estrela de Dunga, que enfiou Daniel na esquerda, em busca da velocidade, de uma bola parada. Jogadores reconhecem, abraçam o treinador.  
 
Luis Fabiano, só, de esquerda, perde o gol que liquidaria de vez. Não é a sua noite. Ele sai, entra Kleberson.
 
Fim. Brasil na final, contra os EUA.
 
Vitória de um time paciente, maduro, numa noite sem brilhos. Joel Santana armou bem seu time, disse que buscaria jogar de igual para igual e jogou, mesmo marcando muito. Disse também, na véspera:
-O Brasil é qualidade, talento, não se pode errar contra uma seleção como a do Brasil. Basta um erro e já era. Se vencermos será feriado nacional.
 
O feriado não veio.
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24 comentários Comentar
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  1. francari Postado em: 26 de junho, às 23:50

    vitória da paciência de todo o time e da competência do D. Alves, que treinou muito para cobrar com exatidão aquela falta.
    Belo texto, como sempre!

  2. anderson Postado em: 26 de junho, às 20:03

    maison melhor que daniel fala serio viu vc nao sabe nada de futebol vai jogar volei

  3. André Postado em: 26 de junho, às 14:48

    Joguinho mediocre de uma seleção corrupta.
    Fazer jogo duro com a Africa, não oferecer nenhum perigo e achar que o jogo foi bom é ridículo!
    Escalar Gilberto Silva, Felipe Melo, Andre Dias na Seleção Brasileira, onde deveriam estar os melhores!, é uma tristeza!
    Os únicos jogadores que merecem estar lá são: Kaka, Ramirez, Luis Fabiano, juan, lucio, julio cesar e Nilmar.
    O resto, junta tudo é joga fora!
    Inclusive o Dunga! por favor!

  4. Diego Medeiros Postado em: 26 de junho, às 09:15

    Bom para começar ganhar sempre é bom de qualquer forma, mas fala que o Brasil jogou bem também nem tanto, foi um jogo apagado onde Ramires, Felipe Melo não foram sombras do que foram em outros jogos, o Robinho a algum tempo já não vem jogando bem, Kaka teve uma marcação muito forte e a Bola não chegava em Luiz Fabiano, agora por sorte na substituição errada ao meu ver do Dunga ele deu sorte, por que se fosse ao contrario se o Daniel Alves que apóia mais que o André Santos tivesse levado uma bola nas costas e o Brasil tivesse tomado um Gol todos nós hoje estaríamos crucificando o Dunga, por isso acho que a modificação não foi muito errada e deu sorte agora ao Daniel Alves dizendo que ele pode jogar na “Lateral Esquerda” se o Dunga assim o quiser ele simplesmente entro e bateu uma falta e por sorte fez o gol ele pode baixar a bolinha dele que a disputa dele é com o maycom que para mim e bem melhor que ele, a Lateral Esquerda ainda ta em disputa mas acho que o André Leva vantagem assim que ele ficar menos tímido na seleção ele pode apoiar mais e fazer belas partidas, mas para isso não depende só dele tem que cair mais jogadores para esquerda e fazer jogados por aquele lado, mas enfim o Brasil ganhou e tudo indica que seremos campeões no próximo domingo, mas temos que tomar cuidado para não entrarmos com salto alto e ficar igual a todo poderosa Espanha.

  5. mayko Postado em: 26 de junho, às 08:25

    Chega a ser piada. O Dunga teve sorte, tirou o André que tava jogado muito bem e colocou um cra que não decidi jogo nenhum. a não ser qu lá no Barcelona o Daniel virou o Messi agora. Acho que é o segundo gol de falta que vejo esse cara fazer na vida. Por acaso vocês vão me falar agora que o Dunga botou ele porque sabia que iria ter uma falta ali e ele iria fazer? Pobre África e grande Júlio César, esse sim o herói do jogo que salvou o Brasil.

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jun
24

Ninguém escreve ao Coronel

Publicado às 15:25 142 comentários

Direto de Johannesburgo (África do Sul)
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De capuz, na gélida tarde, a imensa solidão do Coronel Nunes pós sincericídio
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Uma dificuldade enorme escolher o título nesta quarta-feira. Por tudo que se viu ao longo do dia e no trajeto de bits e telefonemas entre a sede da CBF no Brasil e a seleção aqui em Johannesburgo, a escolha óbvia seria o clássico de Gabriel Garcia Márquez:
-Ninguém escreve ao Coronel.

O Coronel, no caso, é Antonio Nunes, Chefe da Delegação Brasileira na Copa das Confederações. Nunes, como se viu aqui neste blog ontem, cometeu um sincericídio. Disse, sem meias palavras:
-..Se a Copa das Confederações é um teste, eu não aprovaria a Copa do Mundo na África do Sul…a cidade tem toque de recolher às seis da tarde…à noite não se vê vivalma nas ruas…

E por aí afora.

Da obra de Garcia Márquez certamente se poderia surrupiar o título, mas uma adaptação, quiçá, seria mais indicada para o pós do Coronel Nunes. Talvez, “Ninguém Contesta o Coronel”.

Sim, sabemos que a CBF lançou uma nota oficial (leia) para desautorizar o Coronel. Pela agência EFE, antes de tudo e todos, porque era necessário estancar rapidamente a sangria. Ordem direta de Ricardo Teixeira, o presidente da casa.

Na nota, que serve basicamente para desautorizar o Coronel, se diz, em muitas palavras, que não-é-nada-disso, deixa-disso, essa-não-é-nossa-opinião etcetera. O texto se refere quase sempre ao extremo cuidado e às ótimas condições à disposição da seleção.

Quanto a isso, o acolhimento ao time, nada ou quase nada se pode contestar. Mas também não se pode refutar facilmente muito do que disse o Coronel sobre os graves problemas de segurança em uma cidade como Johannesburgo.

Ao que dizem a Cidade do Cabo não tem tais problemas. Se o Brasil passar pela África do Sul amanhã, veremos.

Tal problema, segurança, não houve em Bloemfontein, primeira parada do Brasil. Lá, como vimos aqui outro dia, o Coronel falou pela primeira vez. Para saudar o prefeito da cidade, Mister Playfair.

Disse então, resumidas as muitas palavras, que Bloemfontein é uma cidade que jamais havia sido notada no mundo, que ninguém jamais tivera notícia de sua existência, mas que com a passagem estelar da seleção o nome da urbe seria catapultado para todo o mundo.

Seja com ninguém escrevendo para ou contestando o Coronel, fato é que Nunes viveu nesta quarta um dia de grande solidão. Se por caso ele tem algum longevo, freudiano problema de rejeição, essa gélida noite será duríssima.

Pela manhã, hora do almoço, o Coronel esteve, em companhia de amigos e de Jean Pierre, integrante da seleção verde-amarela, no Shopping Nelson Mandela, vizinho ao local onde reside o showman, o grande Joel Santana, treinador da Bafana, Bafana.

Ali, quase aos pés da estátua do patriarca Mandela e ainda sem ter sentido todas as conseqüências do seu sincericídio (leia aqui), o Coronel Nunes teceu mais algumas abalizadas opiniões sobre o candente tema da segurança (leia também aqui e aqui).

Discorreu então sobre o furto de uma grana, no Hotel Centurion, em Pretória, onde se hospedou a seleção. Como sabemos, levaram algum do fisioterapeuta Odir e teriam levado também do lateral Kleber.

Os detalhes das revelações de Nunes poderemos ler amanhã nos jornais O Estado de S.Paulo e Jornal da Tarde, mas, em resumo, o que o homem de armas informou foi que o hotel tentou um acordo antes que Dunga contasse a história numa entrevista.

O Hotel tentou um acordo para matar a história, mas quis pagar a Odir menos do que tinha sido furtado. Dito isso o Coronel comeu alguma coisinha no Shopping Mandela e rumou para o Ellis Park, para o treino vespertino.

Uma solidão comovente, a do Coronel no Ellis Park.

Houve quem, na bancada isenta, imparcial e objetiva - a dos jornalistas -, se dispusesse a atravessar o gramado para hipotecar solidariedade ao Coronel e trocar mais algumas palavras. A Diretoria de Comunicação não permitiu.

Tarde gelada, ventinho cortante, e Nunes sozinho no banco de reservas, com seu capuz erguido. Apenas o Diretor, Rodrigo Paiva, achegou-se ao banco e ao Coronel num certo momento.

Não foi possível saber do que trataram. Mesmo uma especialista em linguagem corporal não conseguiria perceber com exatidão o que significavam o Coronel e seu Capuz e os braços de Paiva a subir e descer no complemento do ideário exposto.

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Paiva, o Diretor de Comunicação, comunica ao Coronel
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De qualquer maneira, seguro é que o Coronel para cá veio como prêmio de consolação. Belém perdeu uma das vagas como cidade-sede para a Copa 2014 e a CBF de Teixeira enviou-o à tão temida savana africana como um bálsamo.

Visto a dimensão do caso, houve uma blitz da revista Terra Magazine, editada pelo blogueiro, em busca de informações sobre quem seria mesmo o Coronel Nunes.

Antonio Carlos Nunes de Lima, 70 anos – os cabelos negros jamais fariam supor -, nasceu na paraense Monte Alegre. Foi Chefe da Segurança Pública no Pará, comandou o quartel em Santarém e foi alcaide em sua cidade natal.

Já na reserva elegeu-se deputado estadual pelo PRN de Fernando Collor e, desde 1998, preside a Federação Paraense de Futebol.

No ano passado, é digno de registro, o Coronel Nunes foi homenageado com a outorga da comenda do Mérito Legislativo “Newton Miranda”. Galardão este proposto pela conterrânea Josefina do Carmo.

Em que pese todo o esforço jornalístico, até o fechamento desta edição ainda não sabíamos com precisão a que arma pertence o Coronel Nunes.
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Foto: Reinaldo Marques/Terra

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142 comentários Comentar
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  1. Marcos Postado em: 25 de junho, às 19:38

    Fica claro a influência da CBF em determinar que a seleção caminhace em campo e poupace o camaradinha Joel da humilhação de uma goleada. Ter respeito tudo bem, afinal os sul-africanos chegaram a semi final por mérito próprio, mas fazer o povo brasileiro e a seleção passar uma vergonha dessas de ganhar com as calças na mão é de mais. Via-se claramente o constrangimento dos jogadores em ter de puxar o freio durante o jogo. Fora o mister Robinho que ficava de firulas e o Andcré Santos que foi uma caricatura de jopgador os demais ainda buscaram alguma coisa mais. Ao menos Kaká,Luiz Fabiano,Luizão e Lúcio jogaram com seriedade, Pobre do futebol que tem de conviver com esses aconchavos pérfidos nos bastidores comandados pelo sr. Ricardo Teixeira.

  2. Zé da Silva Brasileiro Postado em: 25 de junho, às 14:59

    Não é bom falar em corda na casa do enforcado. O Brasil não é exatamente um paraíso em matéria de segurança. Se problemas de segurança pudessem obstar a realização da copa na África do Sul, poderiam também comprometer a realização da copa de 2014 no Brasil.

  3. ivanildo Postado em: 25 de junho, às 11:21

    todos aqueles que foram contra o coronel conserteza fazem parte do bando do ricardo teixeira

  4. Hugo Postado em: 25 de junho, às 09:25

    É a realidade do Brasil estampada na solidão do Coronel Nunes alijado do circulo vicioso da seleção.
    Infelizmente não é correto no Brasil falar-se a verdade.
    O próprio governo vive de mentiras.
    Quem fala a verdade no Brasil não é considerado como pessoa digna.
    Pessoa digna no Brasil é aquela que se sustenta e vive sobre amentira dos outros e asua própria.
    Parabéns Coronel por sua coragem e independencia pessoal.

  5. africano Postado em: 25 de junho, às 09:15

    QUAL A DIFERENÇA ENTRE BRASIL E AFRICA, NO BRASIL TB ESTA EM GUERRA CIVIL, TOQUE DE RECOLHER 24HS,

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Sobre

Bob Fernandes

Bob Fernandes cobriu três Copas do Mundo, Copa América 2007 e a Olimpíada em Pequim. É editor-chefe de Terra Magazine.

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