Direto de Johannesburgo (África do Sul)
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Na véspera da final contra os Estados Unidos, o último treino, a preparação para a partida
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Na prática, o último dia da Copa das Confederações. Domingo é dia da final, que fala por si. Neste sábado as últimas entrevistas, do Dunga e de jogadores, o último treino, os acertos de conta, os desencontros, apenas resquícios de paciência, pacovás na lua…
A seleção brasileira é um universo. Na Copa da Alemanha eram 1 mil os da mídia oficialmente credenciados para segui-la. Aqui na África do Sul, além dos 23 jogadores, comissão técnica, uns 200 da mídia, a se contar também os setores técnicos.
Imaginem 200 homens, todo esse universo de Marlboro, uma ou outra mulher, durante 20 dias? A orbitar em torno dos 23 e do Dunga, a falar e pensar no mesmo assunto? Certamente não por acaso, antes do início da entrevista Dunga brincou com jornalistas italianos:
-…tem jornalista que gosta mais de escrever sobre homem do que sobre mulher…sobre esses caras todos suados…
Os três italianos sentados na primeira fila riram; no total os italianos são uns 20 aqui em Johannesburgo. Riram muito. Talvez porque também eles estão aqui há 20 dias a escrever sobre os caras suados.
Este é um tema delicado. O da simbiose entre hábitos culturais e corpos humanos quando submetidos a variações de temperatura, mudanças alimentares e fisiológicas. E, sabemos todos, jornalistas vivem esbaforidos, apressadíssimos nestas coberturas.
Cada palavra, cada entrevista, pode trazer uma revelação definitiva. Não se pode, ninguém quer, perder uma frase, uma palavra. Aliás, tem sido assim. Todos os dias o séquito midiático ruma para as coletivas em busca de A Palavra.
E isso exige, no mais das vezes, pressa. Muita pressa. É acordar, engolir um café, ir ali e sair arrumando o cinto. A sirene tocando:
-Os caras vão falar!!! Os caras vão falar!!!
Nessa pressa toda surge o problema.
Como vocês sabem, começou o inverno aqui, noites e dias gelados. E ai a coisa começa a pegar. Mata-se um ou outro banho… aquela mesma calça jeans ainda vá lá, mas aqueles moletons e casacos sobrepostos, dia após dia, por 20 dias…
Isso, do que é visível.
As meias, postas em modus cebola para suportar a umidade, não são visíveis. Mas não há como não saber que elas estão ali naquele tênis. Do que não é visível, claro que ainda há pior, mas ai é melhor deixar pra lá.
Uma boa dúzia já tem sido objeto de desvios. É fulano ou sicrano aparecer na curva, esbaforido, com aquele mesmo agasalhão e touca, e o pessoal dá meia volta, começa aquele telefonema urgente e vaza.
Tudo isso é difícil, mas até ai é contornável. Grave mesmo, tão constrangedor que quase tema tabu, tem sido o bafo.
A pressa. O cara engole o café, não dá pra voltar e escovar o dentes, e aí segue a parada até a noite. Os mais radicais, sem chicletes. Pode não parecer, mas é assunto sério, importante na convivência entre humanos. E repercute.
Os mais veteranos em coberturas do gênero contam que os jogadores trocam informações antes de ir pra zona mista; Zona mista, antes que me entendam mal, é um curralzinho onde jornalistas buscam As Palavras depois de jogos e alguns treinos.
Nesta zona todos jogadores são obrigados a, pelo menos, por lá passar. Mesmo que nada falem. E, pelo que me contam veteranos, jogadores trocam informações e um dos principais motivos para a parada ou não nesta ou naquela emissora, neste ou naquele jornal, site, é justamente o bafo.
As entrevistas na zona são cara a cara, olho no olho. Consta que haveria uma escala feita por eles. Nos casos mais graves o jogador abaixa a cabeça e segue em frente, como se naquele dia ele tivesse brigado com a imprensa. Não, não brigou. É o bafo.
Esta, aliás, é outra coisa corriqueira, normalíssima nas grandes coberturas da seleção amarela. As brigas com a imprensa.
Quem lê, ouve, vê, sabe que tem gente que é do mal, irresponsável, que escreve ou diz mais para ferir do que por qualquer outra coisa. Mas quem lê, ouve, vê, sabe quem faz assim e quem faz assado. Mas, mesmo assim, em três Copas do Mundo, uma da América, uma Olimpíada e uma Copa das Confederações, há algo que é inescapável: o climão com a imprensa.
Quando começam as entrevistas, mesmo as mais bem humoradas, lá está o climão pairando. Alguém falou mal de alguém, alguém teria esculhambado alguém, alguém irá avacalhar alguém; isso é sempre dito, repetido, nas linhas e na entrelinhas. É o objeto fulcral da negociação que se estenderá por todo o torneio. Qualquer torneio.
Nunca se sabe exatamente quem falou o que sobre quem, mas isso importa pouco: o que importa é manter aquele climão de barraco no ar, ou, barraco a caminho.
Como tática não deixa de funcionar. Há quem se intimide já no climão, e ai não há a menor chance de nada real chegar ao papel, no ar, nas ondas, nas telas, nada além das Palavras; mesmo quando ocas, vazias.
O climão seguramente funciona, também, para qualquer um que, de parte a parte, viva das dificuldades.
Como é sabido, e não seria preciso nem ler Shakespeare ou conhecer a saga dos Bórgia ou Maquiavel, é nas dificuldades que são ocupados os espaços de poder. Que são construídas as alianças; e também eleitos os adversários.
Como não seria assim num universo onde pontificam e são disputados, além do técnico e Comissão, 23 estrelas do mundo do futebol, um time avaliado em pelo menos 300 milhões de euros?
Como não seria assim se num tal séquito estão não apenas 200 egos, mas também poderosas corporações, gigantescos interesses?
Como não ter, no cotidiano, a luta entre ambições, a batalha pelo Poder? Pelos Poderes.
Tem. Todos os dias. Da manhã à madrugada. Às vezes simplória, outra vezes medíocre, tantas outras constrangedora. Mas, mesmo assim, chega-se sempre ao final com a sensação de que valeu a pena. Tudo.
Quase tudo.
O bafo, não.
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Foto: Reinaldo Marques
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Putz, aguentar bafo de marmajo deve ser tenso demais da conta…
boa sorte proceis
Po galera, nem um chicletinho? Ninguém merece, né?
Até quenfim alguém faz matérias diferentes…cansamos do mesmo…aquela cobertura chata…q só fala de gol e coletiva.
hahahahah “o bafo”
A SELEÇÃO TEM MAIS É QUE FICAR BICUDA MESMO SENÃO ACONTECE O MESMO QUE ACONTECEU NA ÚLTIMA COPA DO MUNDO….MUITOS POP STARS E POUCOS JOGADORES
Adorei , adorei.Deu para sentir o clima, o astral, a atuação toda do mundo de marlboro e.. até o bafo…
Curiosidades que só o futebol proporciona , mas deixando de lado isso , o Brasil vai dar show amanhã , o caneco é nosso :>
Quero ver o bafão amanhã se vai matar os EUA!!!!!!!!!!!
Os jornalistam tem que ter uma máscara anti-bafo.
Depois de conhecer e acompanhar seu blog nessa Copa das Confederações, fiquei sua fã, nada melhor do que ler coisas bem escritas e inteligentes, falar de futebol, de tudo que envolve essa paixão nacional de um jeito único e diferente. Parabéns Bob!!! Agora estarei sempre por aqui pra apreciar o que escreves.
bafo, bafo, bafo.. Querover o chulé amanhã;.
Bom a minha opinião é que a seleção esta no caminho certo apesar de toda a especulação sobre o técnico e alguns jogadores, eu acho que o jogador de futebol quando ele defende a seleção ele tem que honrar a camisa como se fosse para entrar em um campo de batalha, porque afinal eles são os representantes de uma nação que esta aqui observando, não é fazer corpo mole como alguns fazem mostrar pelo menos que tem força pra poder brigar por um título ou melhor buscar atingir o alvo, é isso que o povo brasileiro quer verdadeiros jogadores que disputam todos os espaços em campo que demostram garra em vestir essa camisa e a nação que eles estão representando. Um abraço a todos FORÇA SELEÇÃO
Já é madrugada e acabei de ler o blog. Tô rindo sozinho no silêncio do meu apartamento. muito engraçado mas muito verdadeiro- tudo. O todo.
enhesse tanto o aco o dung ck esse BURRO do andr sntos pr joga !!!!!! TA AI TEU “MELHOR LATERAL”
Fale sério ganhar dos EUA no futebol é obrigação, nem da para comemeorar muito. Isso foi meio na sorte e na falta de traquejo dos EUA de fazer anti jogo, estando ganhando de 2, são muito leais e ingênuos até para o que estamos acostumados a ver. Logo logo essa seledunga vai achar o que procura ai só será lágrimas, o aviso foi bem nítido.