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jun
28

Yes, nós podemos

Publicado às 18:27 57 comentários
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Direto de Johannesburgo (África do Sul)
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Luis Fabiano fez dois, incendiou o time e foi artilheiro da Copa das Confederações

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Ellis Park, final, Brasil e USA. Festa de encerramento de 15 minutos. Normal. De novo vazios nos setores mais caros. Escalações anunciadas. Kaká, de longe o mais aplaudido, seguido por Robinho e Ramires. Mesmo time, mesmas vuvuzelas.

Mesmo frio. No túnel de acesso ao gramado, brasileiros e norte-americanos de agasalhos, soprando as mãos. Zuma, o presidente da África do Sul, Blatter, o da Fifa, e Teixeira, o da CBF, cumprimentam os jogadores.

Hinos dos EUA. O técnico Bradley e todos o jogadores voltados para a bandeira, mão direita sobre o peito. Hino executado corretamente.

Hino do Brasil. Kaká e Maicon com a mão direita no peito. Hino, pela quinta vez na Copa, executado erroneamente. Para quê, então, o hino? E ninguém diz nada.

Fotos. O Brasil de Dunga, onde, diz e repete ele, “todos são titulares”, posa com os 23 jogadores.

O filho do camaronês Mark-Vivien Foe, morto em campo há 6 anos numa Copa das Confederações, lê uma homenagem ao pai. O técnico Bradley deixa o banco, cumprimenta o garoto quando ele desce para os vestiários.

Começou.

Dempsey chuta, fraquinho, em gol. Maicon triangula, cruza, escanteio. Maicon bate de longe. Escanteio. Kaká se antecipa, toca de cabeça para fora.

Brasil sonolento.

Falta para os EUA, troca de bolas, vacilo na área, Luisão deixa Dempsey solto. Ele erra o chute, mas bola à direita de Júlio Cesar. Um a zero. Outra zebra solta na África. Dunga quieto, mão esquerda no queixo.

O Brasil prova do próprio veneno, a bola parada. A mesma que deu a Felipe Melo o primeiro contra os EUA na primeira fase.

Escanteio para os EUA. Melê na área amarela. Quase o segundo. O habitual panaca, um invasor profissional corintiano, tenta entrar no gramado. Sai arrastado e sem camisa.

André Santos sobe sempre, mas subida estéril. Não chega à linha de fundo, não se aproxima de Robinho. O Brasil empurra os EUA para a defesa; ou os EUA recuam para buscar o contra-ataque?

Era o contra-ataque. E, de novo, o próprio veneno.

Erro no escanteio, Maicon toca errado pra Robinho, propicia a ação fulminante, em muito parecida com o segundo gol contra o EUA na primeira fase. Davis para Donnovan, que corta Ramires e bate à esquerda. Dois a zero.

Felipe Melo e Gilberto Silva parecem perdidos, como quase todo o time. Sentiram a pancada. Ramires, mal, perde outra. Robinho, improdutivo, erra. Há quem não creia nelas, o Brasil parece que também não acreditava, mas zebras existem.

Estão soltas no Ellis Park.

André Santos chega na cara do gol, Howard defende. Luisão, mal. André perde o tempo da bola, marca errado a Altidore. Falta perigosa na direita. O banco inteiro pede para o time sair da área. Em vão.

Bate o desespero. Robinho e Kaká, cercados por quatro, erguem as mãos, querem a bola. Pra quê?

O time estático quando tem a bola, ninguém se desloca.

Último lance. Maicon cruza, Luis Fabiano quase chega. Ficou no quase.

Fim do primeiro ato. Os EUA jogam sob o lema de Obama, e da entrevista na véspera:

-Yes, We Can!

Cansaço à parte, que será alegado e não deixa de ser real também, muito mal o time, mesmo quem brigou muito como Maicon e Ramires. Não é nem o caso de particularizar.

Mesmo com os exemplos de Egito, Itália e Espanha, que dançaram antes, a seleção parece ter entrando em campo achando que poderia vencer a qualquer momento.

Quarenta segundos. Luis Fabiano, na frente da área, gira de esquerda, no canto esquerdo: 2 a 1. O time todo vibra em campo.

Acordou o Brasil?

Kaká erra, concede o contra ataque. Gilberto Silva e Felipe, inertes, assistem uma troca de bolas à frente da defesa. Os EUA triangulam às suas costas.

Lúcio cabeceia no escanteio, rebote de Howard, Gilberto Silva, de esquerda, isola. Kaká cabeceia. Gol. Howard tira já dentro, mas o sueco Martin Hansson erra, e não dá. Seguiu o bandeira, também sueco, que ficou estático.

André Santos sai, entra Daniel Alves. Ramires dá lugar a Elano, a quem Dunga considera um “jogador tático”. Elano entra para corrigir os erros de posicionamento entre o meio-campo e a defesa.

Kaká exausto. Maicon exausto. Dunga não mexe. Logo em seguida se entende o porquê. Kaká dispara pela esquerda, cruza, Robinho bate, Howard defende, travessão, Luis Fabiano executa de cabeça. Empate. Aos 28. Festa africana nas arquibancadas.

Dois a dois. Dunga urra no banco. Os reservas pulam, saltam.

Luis Fabiano luta, luta, luta. Escanteio. As vuvuzelas, as buzinas africanas, infernizam, incendeiam a torcida, o estádio se levanta, Elano no escanteio, sua bola parada com a perfeição quase habitual. Lúcio, de cabeça fulmina os EUA. Aos 39. Delírio no Ellis Park. A zebra se foi.

Yes, nós podemos.

Escanteio. Bradley põe uma torre careca em campo, Casey. Não dá em nada. Falta um minuto. Bola pra torre careca. Nada. Três de acréscimo. Sufoco.

O banco amarelo quer invadir o campo. Rodrigo Paiva, da Comunicação, grita pro juiz, à beira do gramado:

-Acabou, acabou…

A bola cai no banco brasileiro, que a esconde, não quer devolver. Américo Faria, supervisor, dá um esculacho na moçada.

Fim.

Gritos, saltos, piruetas, cambalhotas, euforia por todo o Ellis Park.

O banco brasileiro invade o gramado. Lúcio chora, agradece ao “Pai”. Todos se abraçam. Os instrumentos para o batuque, escondidos até então, despontam no banco. Dunga vibra, abraça quem aparece à frente.

Roda no meio campo, todos abraçados, Dunga na roda. Todos ajoelhados, preces. (Hoje, Alguém de fato se fez presente.)

Salada brasileira, sincrética. Ensaio de batucada no gramado, I Belong To Jesus nas camisetas dos evangélicos.

Premiação. Luis Fabiano, chuteira de ouro, o goleador e, na real, o melhor em campo. Mas a Fifa premia Kaká, eleito também o craque da Copa.

Vitória extraordinária, espetacular. Depois de um primeiro tempo desastroso, o time foi buscar forças que já não pareciam existir.

Dunga. Amaldiçoado, feito símbolo do fracasso em 90, capitão e Campeão do Mundo em 94. Há três anos no comando, sob intensa artilharia, campeão da América, líder nas eliminatórias, campeão na Copa das Confederações.

O time corre para as câmeras da Globo, quer fazer um batuque pra família via satélite. O homem-Fifa veta.

Lúcio ergue a taça, Brasil tricampeão da Copa das Confederações.

Kaká revela: No intervalo, nos vestiários, os jogadores da seleção adotaram, aos gritos, o lema de Barack Obama e dos EUA no primeiro tempo:

- Yes, nós podemos.


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Foto: Reinaldo Marques
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  1. Olavo Postado em: 30 de junho, às 17:28

    Simmmm!!! Nós podemos!!!

  2. eduardo Postado em: 30 de junho, às 09:53

    O brasil foi fantastico, considerando que jogamos varias partidas em ”10” … logico aquele inutil do ”ROBINHO” antes almenos pedalava! agora nao faz nem aquilo… nao pedala, nao corre, nao faz nada, se a bola nao vai no pé dele ele assiste, impossivel fazer um lançamento, foi o pior da seleçao, lamentavel, inutil, ”MASCARADO” bom pra voltar a bola pra traz, desilusao total!!! forsa brasil ao caminho do hepta…

  3. John Postado em: 29 de junho, às 20:05

    dale neles luis fabiano,nos merecemos a vitoria chega de zebra e torço para que nunca mais os estados unidos chegue a uma final

  4. André Postado em: 29 de junho, às 18:21

    Concordo Matheus! esse futebol burocrático do Felipe e do gilberto é difícil de assistir, ou tocam pro lado ou para trás.
    Sem falar no André e no Maicom, nao vi uma vez eles irem até a linha de fundo entrando na área… só chuveirinho de longe… ficou claro que falta a esses dois mais qualidade.
    O Robinho está muito abaixo do seu rendimento e o dunga teve a oportunidade de testar o Nilmar, mas nao fez.
    O Kaka não mereceu a trofeu de melhor jogador, o Luís Fabiano jogou muito mais que ele.
    Ver o Luisão no lugar do Juan é uma tristeza, pq nao colocou o Miranda? muito melhor!
    Enfim, se não ocorrerem algumas mudanças na seleção, ano que vem voltamos mais cedo pra casa!
    Lembrem-se, tomamos sufoco do Egito, África do Sul e EUA. Não é mole não!

  5. Margarete Postado em: 29 de junho, às 10:53

    LUCIO guerreiro alado, meu eterno amor, respeito á sua garra e luta. PARABÉNS !

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jun
27

Climão, ambições e bafo no final da Copa

Publicado às 16:49 14 comentários

Direto de Johannesburgo (África do Sul)
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Na véspera da final contra os Estados Unidos, o último treino, a preparação para a partida
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Na prática, o último dia da Copa das Confederações. Domingo é dia da final, que fala por si. Neste sábado as últimas entrevistas, do Dunga e de jogadores, o último treino, os acertos de conta, os desencontros, apenas resquícios de paciência, pacovás na lua…
 
A seleção brasileira é um universo. Na Copa da Alemanha eram 1 mil os da mídia oficialmente credenciados para segui-la. Aqui na África do Sul, além dos 23 jogadores, comissão técnica, uns 200 da mídia, a se contar também os setores técnicos.
 
Imaginem 200 homens, todo esse universo de Marlboro, uma ou outra mulher, durante 20 dias? A orbitar em torno dos 23 e do Dunga, a falar e pensar no mesmo assunto? Certamente não por acaso, antes do início da entrevista Dunga brincou com jornalistas italianos:
-…tem jornalista que gosta mais de escrever sobre homem do que sobre mulher…sobre esses caras todos suados…
 
Os três italianos sentados na primeira fila riram; no total os italianos são uns 20 aqui em Johannesburgo. Riram muito. Talvez porque também eles estão aqui há 20 dias a escrever sobre os caras suados.
 
Este é um tema delicado. O da simbiose entre hábitos culturais e corpos humanos quando submetidos a variações de temperatura, mudanças alimentares e fisiológicas. E, sabemos todos, jornalistas vivem esbaforidos, apressadíssimos nestas coberturas.
 
Cada palavra, cada entrevista, pode trazer uma revelação definitiva. Não se pode, ninguém quer, perder uma frase, uma palavra. Aliás, tem sido assim. Todos os dias o séquito midiático ruma para as coletivas em busca de A Palavra.
 
E isso exige, no mais das vezes, pressa. Muita pressa. É acordar, engolir um café, ir ali e sair arrumando o cinto. A sirene tocando:
-Os caras vão falar!!! Os caras vão falar!!!
 
Nessa pressa toda surge o problema.
 
Como vocês sabem, começou o inverno aqui, noites e dias gelados. E ai a coisa começa a pegar. Mata-se um ou outro banho… aquela mesma calça jeans ainda vá lá, mas aqueles moletons e casacos sobrepostos, dia após dia, por 20 dias…
 
Isso, do que é visível.
 
As meias, postas em modus cebola para suportar a umidade, não são visíveis. Mas não há como não saber que elas estão ali naquele tênis. Do que não é visível, claro que ainda há pior, mas ai é melhor deixar pra lá.  
 
Uma boa dúzia já tem sido objeto de desvios. É fulano ou sicrano aparecer na curva, esbaforido, com aquele mesmo agasalhão e touca, e o pessoal dá meia volta, começa aquele telefonema urgente e vaza.
 
Tudo isso é difícil, mas até ai é contornável. Grave mesmo, tão constrangedor que quase tema tabu, tem sido o bafo.
 
A pressa. O cara engole o café, não dá pra voltar e escovar o dentes, e aí segue a parada até a noite. Os mais radicais, sem chicletes. Pode não parecer, mas é assunto sério, importante na convivência entre humanos. E repercute.
 
Os mais veteranos em coberturas do gênero contam que os jogadores trocam informações antes de ir pra zona mista; Zona mista, antes que me entendam mal, é um curralzinho onde jornalistas buscam As Palavras depois de jogos e alguns treinos.
 
Nesta zona todos jogadores são obrigados a, pelo menos, por lá passar. Mesmo que nada falem. E, pelo que me contam veteranos, jogadores trocam informações e um dos principais motivos para a parada ou não nesta ou naquela emissora, neste ou naquele jornal, site, é justamente o bafo.
 
As entrevistas na zona são cara a cara, olho no olho. Consta que haveria uma escala feita por eles. Nos casos mais graves o jogador abaixa a cabeça e segue em frente, como se naquele dia ele tivesse brigado com a imprensa. Não, não brigou. É o bafo.
 
Esta, aliás, é outra coisa corriqueira, normalíssima nas grandes coberturas da seleção amarela. As brigas com a imprensa.
 
Quem lê, ouve, vê, sabe que tem gente que é do mal, irresponsável, que escreve ou diz mais para ferir do que por qualquer outra coisa. Mas quem lê, ouve, vê, sabe quem faz assim e quem faz assado. Mas, mesmo assim, em três Copas do Mundo, uma da América, uma Olimpíada e uma Copa das Confederações, há algo que é inescapável: o climão com a imprensa.
 
Quando começam as entrevistas, mesmo as mais bem humoradas, lá está o climão pairando. Alguém falou mal de alguém, alguém teria esculhambado alguém, alguém irá avacalhar alguém; isso é sempre dito, repetido, nas linhas e na entrelinhas. É o objeto fulcral da negociação que se estenderá por todo o torneio. Qualquer torneio.
 
Nunca se sabe exatamente quem falou o que sobre quem, mas isso importa pouco: o que importa é manter aquele climão de barraco no ar, ou, barraco a caminho.
 
Como tática não deixa de funcionar. Há quem se intimide já no climão, e ai não há a menor chance de nada real chegar ao papel, no ar, nas ondas, nas telas, nada além das Palavras; mesmo quando ocas, vazias.
 
O climão seguramente funciona, também, para qualquer um que, de parte a parte, viva das dificuldades.
 
Como é sabido, e não seria preciso nem ler Shakespeare ou conhecer a saga dos Bórgia ou Maquiavel, é nas dificuldades que são ocupados os espaços de poder. Que são construídas as alianças; e também eleitos os adversários.
 
Como não seria assim num universo onde pontificam e são disputados, além do técnico e Comissão, 23 estrelas do mundo do futebol, um time avaliado em pelo menos 300 milhões de euros? 
 
Como não seria assim se num tal séquito estão não apenas 200 egos, mas também poderosas corporações, gigantescos interesses? 
 
Como não ter, no cotidiano, a luta entre ambições, a batalha pelo Poder? Pelos Poderes.
 
Tem. Todos os dias. Da manhã à madrugada. Às vezes simplória, outra vezes medíocre, tantas outras constrangedora. Mas, mesmo assim, chega-se sempre ao final com a sensação de que valeu a pena. Tudo.
 
Quase tudo.
 
O bafo, não.

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Foto: Reinaldo Marques
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  1. Ricardo Postado em: 29 de junho, às 02:34

    Fale sério ganhar dos EUA no futebol é obrigação, nem da para comemeorar muito. Isso foi meio na sorte e na falta de traquejo dos EUA de fazer anti jogo, estando ganhando de 2, são muito leais e ingênuos até para o que estamos acostumados a ver. Logo logo essa seledunga vai achar o que procura ai só será lágrimas, o aviso foi bem nítido.

  2. Felipe Vareira Postado em: 28 de junho, às 16:14

    enhesse tanto o aco o dung ck esse BURRO do andr sntos pr joga !!!!!! TA AI TEU “MELHOR LATERAL”

  3. bruno Postado em: 28 de junho, às 01:48

    Já é madrugada e acabei de ler o blog. Tô rindo sozinho no silêncio do meu apartamento. muito engraçado mas muito verdadeiro- tudo. O todo.

  4. Alexandre Vieira Postado em: 28 de junho, às 00:22

    Bom a minha opinião é que a seleção esta no caminho certo apesar de toda a especulação sobre o técnico e alguns jogadores, eu acho que o jogador de futebol quando ele defende a seleção ele tem que honrar a camisa como se fosse para entrar em um campo de batalha, porque afinal eles são os representantes de uma nação que esta aqui observando, não é fazer corpo mole como alguns fazem mostrar pelo menos que tem força pra poder brigar por um título ou melhor buscar atingir o alvo, é isso que o povo brasileiro quer verdadeiros jogadores que disputam todos os espaços em campo que demostram garra em vestir essa camisa e a nação que eles estão representando. Um abraço a todos FORÇA SELEÇÃO

  5. sergio Postado em: 27 de junho, às 23:28

    bafo, bafo, bafo.. Querover o chulé amanhã;.

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Direto de Johannesburgo (África do Sul)
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Presidente Lula visitou o Morumbi nesta semana para conhecer o projeto para a Copa de 2014
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Johannesburgo é, basta olhar, uma cidade rica, onde há, houve sempre, dinheiro. Lá de Soweto, que já foi gueto e hoje abriga classes médias mas também miseráveis, se enxerga de onde brotou muito, muito dinheiro por mais de um século.

É uma montanha feita por mãos humanas. Um enorme aterro, erguido para tapar a cratera onde por décadas e décadas os escravos do apartheid cavaram ouro. É desse choque entre bilionários e deserdados que nasceu e prosperou a violência de hoje em Johannesburgo.

Um dos abrigos para quem tem grana é o shopping center, suprema ironia, denominado Nelson Mandela; justamente o homem-símbolo do fim do apartheid. O shopping, uma ilha de segurança, com lojas finíssimas, restaurantes caros, embora ruins.

Num desses restaurantes, o Ghirardellis, almoçava nesta semana um naipe de brasileiros. Dois deles ex-empresários do mundo boleiro que, salvo engano, já puxaram uma cana. Em algum momento por lá passaram também funcionários da FIFA.

Um dos rapazes, o mais falante, era assustador. Entre o calvo e a cabeça raspada, terno escuro, sempre a proferir certezas. Lombrosiano. Estávamos numa mesa próxima, entreouvimos de repente:
-…no Rio, em Setembro, eu vou cuidar da segurança!!!

Brrrrrrr.

Ficamos olhando aqueles sujeitos, imaginando, tentando sacar o que tramam aqui nas bandas da África. “Copa no Brasil” foi expressão diversas vezes repetida.

Naquela mesma tarde o Coronel Nunes, o já célebre Chefe da delegação do Brasil, cometeu seu sincericídio. Disse que Johannesburgo tem “toque de recolher às seis da tarde”, “vivalma nas ruas à noite”, manifestou temor em trazer a família à Copa.

No dia seguinte, qual Maysa, seu mundo caiu. Ricardo Teixeira em pessoa emitiu uma desautorização oficial à opinião do Coronel. Disse, inclusive, que aqui está e aqui estará com a família no próximo ano.

E ele está mesmo. Hoje almoçou no Butcher que, como diz o nome, “Açougueiro”, é um restaurante de carnes.

Fica logo à entrada, à frente e à direita da estátua do Mandela. Nessa semana correu aqui, de boca-em-boca, a história do Lula, do Teixeira e do Morumbi.

Lula, o presidente, visitou o Morumbi como sabem vocês por aí. O governador Serra, o prefeito Kassab, lá estiveram. O ministro dos Esportes, Orlando Silva, também estava.

Lula foi e voltou de Congonhas de helicóptero. Na parte privada da visita, com presidentes de clubes, demorou-se por meia hora.

Lá, segundo testemunhas, teria dito à Lula, com todos aqueles recheios de linguagem popular, que o estádio para a Copa 2014 em São Paulo é o Morumbi.

E que Ricardo Teixeira deveria “baixar a bola”. Pelo menos um dentre a dezena de presentes me confirmou a história; como se sabe, nesse cipoal de interesses é preciso ter cautela.

Como se deve fazer, busquei ouvir o outro lado. No caso, o do Teixeira.

Os seus juram de pés juntos que, primeiro, não ganharão “dinheiro com estádios”. E que os interessados em tanto têm residência em São Paulo.

Informam, em seguida, que a FIFA quer o Morumbi, desde que atendidos os tais seis requisitos que o projeto do São Paulo não contemplou. E que tudo seria uma questão de “engenharia”.

Deve ser mesmo, esperemos, uma questão que uma simples “engenharia” resolve; antes que outros “engenheiros” aprontem daquelas obras costumeiras. Com os custos habituais. Como no Pan.

Deve ser porque se o problema é, ao final e ao cabo, de espaços contíguos, parece ser mais barato negociar tais espaços privados ao redor do estádio do que construir um novo.

E quando me lembro do campinho universitário em Stanford, Califórnia, onde o Brasil jogou na Copa 94, tudo isso se torna ainda mais estranho. Ou por demais evidente.

Domingo a final contra os EUA. Hoje é sexta, vamos jantar fora. No shopping Mandela.

(Tudo pelo jornalismo.)
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Foto: AP
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Comentários

80 comentários Comentar
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  1. Gabriel Postado em: 28 de junho, às 11:37

    Bob, um marketeiro qualquer de plantão QUER MUDAR O ESCUDO DO ESPORTE CLUBE BAHIA! Dê uma olhada no site oficial do clube, que já adotou a barbaridade. Isso é um absurdo, pior do que rebaixar o time para a Série C.

  2. Quequéisso Postado em: 27 de junho, às 01:16

    Caraca! O maior Panettone de Frutinhas que existe é o Morumbi? Que definição porreta feita aqui em uns dos comentários. Uma definição real mesmo do Estádio e os seus iguais rsrsrs. Taí! Concordo. É olha que eles querem que a ABERTURA seja lá. Gulosos rsrsrs

  3. judokarib Postado em: 26 de junho, às 22:00

    Oque??? A copa do mundo vai ser realizada aqui no Brasil??? mentira…voçes tão de sacanagem comigo!!!!!!!!!!!!!!E o salário mínimo 460,00….

  4. P/Gilberto Postado em: 26 de junho, às 21:46

    Gambá, vai continuar sem estádio, alugando pra poder jogar. Estava pensando que o curintia iria ganhar um estádio de graça ? Pode chorar, espernear, tirar a calçinha e pisar em cima.

  5. Vinicius (Colombia) Postado em: 26 de junho, às 20:59

    É inacreditavel demitir um técnico ganhador, vencedor, competente como o Muricy. É lamentavel a decisao tomada pela Diretoria do SPFC que desta vez cometeu um erro que a muito tempo nao cometia.

    Esparamos que o pior nao venha ocorrer no futuro com a contratacao do Leao, já pensou? Pior que isto só contratando o Nelsinho Pique para pilotar o carrinho de emergencia.

    Abraco

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Sobre

Bob Fernandes

Bob Fernandes cobriu três Copas do Mundo, Copa América 2007 e a Olimpíada em Pequim. É editor-chefe de Terra Magazine.

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